Cupins

Os cupins alimentam-se principalmente de “produtos celulósicos”, incluindo-se aí vegetais vivos como mudas de eucalipto, plantas de arroz e toletes de cana. Algumas espécies alimentam-se de madeira morta ou serrada, atacando mourões de cerca, móveis, portas, batentes e armários. São as mais conhecidas das populações urbanas.

O mecanismo de alimentação destas sociedades não cessa após a ingestão inicial dos alimentos ditos “brutos”,. já que estes percorrem caminhos bastante longos. Na verdade, passam de um indivíduo para outro, sendo portanto uma alimentação solidária e com características entre os cupins, bem diferentes das de outros grupos de insetos sociais. Essa alimentação solidária é o fator maior do gregarismo de tais sociedades. O cupim é capaz de destruir até concreto e alumínio na busca de celulose.

O cupim é o mais antigo dos insetos chamados “verdadeiramente sociais” (pelo tipo de organização da comunidade em que vive).

Cerca de duas mil espécies de cupins são conhecidas ao redor do mundo. Elas estão disseminadas na maioria dos países tropicais e podem ser encontradas também em alguns países temperados. São serem incompletos, incapazes de uma existência independente e são organizados em castas com rígidas funções sociais.

Cupim Subterrâneo

O Coptotermes Gestroi integra o grupo dos cupins subterrâneos. Com mais de 45 espécies descritas, é um dos cupins que mais prejuízos, em todo o mundo. Nas Américas, há 5 espécies desse gênero. O Coptotermes Gestroi é a espécie assinalada nas áreas urbanas do sudeste brasileiro, onde marca sua presença nas épocas quentes do ano (de agosto ao final do ano), mediante impressionantes revoadas crepusculares.

A população nas colônias maduras de Coptotermes é enorme, com dezenas de milhares a alguns milhões de indivíduos. Os soldados são numerosos, possuem cabeça amarelada, providas de longas mandíbulas. Quando incomodados, exsudam pela fontanela (um poro à frente da cabeça, que serve para eliminar o exsudato produzido por uma glândula cefálica, denominada glândula frontal) uma volumosa gota de líquido leitoso, que logo coagula entre as mandíbulas.

O Coptotermes aproveita as fezes como material para a edificação do ninho e túneis a ele associados. As fezes pastosas, são pacientemente depositadas pelos cupins, até resultarem em formidáveis ninhos, cujo volume com frequência ultrapassa 0,5 m3. Nos túneis externos o cupim frequentemente adiciona partículas de solo.

Tipicamente, todo local de trânsito de Coptotermes apresenta revestimento de pequenos discos fecais, confluentes.

Os ninhos são tipicamente do tipo cartonado. São subterrâneos ou construídos em locais bem abrigados nos vários pavimentos das edificações (espaços estruturais em geral, como porões, poços de ventilação e de elevadores, subestruturas de pisos, paredes e lajes duplas, caixas de eletricidade e telefonia, e caixões perdidos em geral), escuros e de má ventilação, os quais asseguram a umidade necessária ao desenvolvimento da colônia. Quando presentes nos andares superiores das grandes edificações, não necessitam contato direto com o solo, desde que haja fonte de umidade suficiente para a prosperidade da colônia. Árvores ornamentais constituem excelente reservatório urbano do cupim, por albergarem colônias enormes no interior do tronco e raízes.

Dos ninhos irradiam túneis por onde transitam expedições forrageiras, com soldados e operários. Os túneis são subterrâneos ou percorrem toda a infinidade de espaços e frestas que permeiam as edificações (juntas de dilatação, rachaduras, trajetos de tubulações hidráulicas, interior de conduítes, etc.). Quando construídos em locais mais expostos, geralmente estão dissimulados nas arestas e fendas em geral

Os cupins subterrâneos são assim denominados por construírem seus ninhos no solo. De fato, estes cupins também podem construir seus ninhos em vão estruturais, como: caixões perdidos em edifícios, vãos entre lajes, paredes duplas, ou qualquer outro espaço confinado que exista em uma estrutura, seja ela uma residência, indústria ou comércio.

Por esta razão, a denominação cupim subterrâneo não é a mais correta quando se trata deste grupo de cupins. No entanto, dada a universalidade da descrição (em inglês este grupo de cupins é chamado de “subterranean termite” e a familiaridade do termo entre pesquisadores da área, manteremos a mesma denominação para estes cupins no Brasil. A única restrição reside no fato de que devemos nos lembrar de que, além do solo, os cupins subterrâneos podem construir seus ninhos em vãos estruturais. Esta é uma característica que os diferencia dos cupins de madeira seca, cujos ninhos estão confinados à madeira infestada.

Um dos sinais típicos de ataque de cupins subterrâneos são os caminhos que eles fazem sobre superfícies de alvenaria ou outro material. Feitos de terra, fezes e saliva, estes cupins constroem verdadeiros túneis que os protegem de predadores, perda de água e outros problemas.

Outra diferença entre os cupins de madeira seca e os cupins subterrâneos, é que os operários destes podem transitar em outros meios que não a madeira, na busca por alimento. O cupim de madeira seca, ao consumir toda a madeira que o abriga, se não tiver acesso a outra madeira em contato com a primeira, condena a sua colônia a morte.

A vida útil da colônia está, assim, ligada à duração da fonte de alimento. Os cupins subterrâneos, podendo sair da colônia em busca de alimentos, não têm este problema, dada a fartura de elementos a base de celulose que se encontram na natureza ou nas proximidades do próprio ninho.

Dentro da família Rhinotermitidae encontram-se os cupins que mais prejuízos causam à madeira, em todo o mundo. Existem cerca de 45 espécies de cupins descritas e, dentre elas, o Coptotermes Gestroi, que infesta estruturas no Brasil.

Nos Estados Unidos existe uma espécie diferente, denominada Coptotermes formosanus, que ainda não ocorre no Brasil. Já o CoptotermesGestroi foi recentemente encontrado em um bairro de Miami, uma cidade portuária localizada no Estado da Flórida, no sudeste dos Estados Unidos, fato este que tem causado grande preocupação aos norte-americanos.

No Brasil, acredita-se que o Coptotermes Gestroi foi introduzido em 1923, através de importações de materiais infestados que chegaram por cidades portuárias. Ou seja, da mesma maneira que ele acabou sendo introduzido nos Estados Unidos em 1996: de navio.

  • O soldado possui uma cabeça mais avantajada, necessária para sustentar as mandíbulas na defesa da colônia.
  • A rainha do cupim subterrâneo pode colocar cerca de 5000 ovos por dia. A rainha tem o abdome físiogástrico: o tamanho é resultado do acúmulo de ovos em desenvolvimento dentro de seu corpo para dar conta das milhares de posturas características de algumas espécies.
  • Divididos em duas espécies, cupim de madeira seca e cupim subterrâneo, tem no segundo o maior causador de danos.
  • São extremamente organizados, contando com operários e soldados além de um Rei e uma Rainha, responsáveis pelo acasalamento e produção de milhares de ovos todos os anos.
  • Eles constroem canais, atravessam paredes de tijolos, blocos ou concreto, atingem grandes distâncias e alturas, se instalam em áreas de difícil acesso, como o subsolo e vãos na estrutura,  sempre em busca de sua fonte de alimentação (celulose).
  • A colônia é difícil de ser encontrada, e quando os sinais começam a aparecer o grau de infestação já é alto, causando prejuízos enormes, seja nas estruturas do imóvel ou em objetos como telas de pintura, livros, arquivos, entre outros.
  • As florestas são o habitat natural dos cupins, também chamados de xilófagos, onde exercem a importante função de reciclar a madeira morta. Porém, nas áreas urbanas, sua presença pode acarretar sérios prejuízos se sua proliferação não for controlada.

Na colônia existe um código de comunicação específico entre a rainha e seus súditos: por meio de mensagens químicas – pequenas gotas hormonais transmitidas boca a boca, a rainha “conversa” e orienta soldados e operários.
Embora existam várias famílias de cupins, o ritual para a perpetuação da espécie é semelhante em todas as colônias. Ao atingirem a maturidade – estágio determinado por um processo hormonal – os eleitos, divididos em machos e fêmeas alados, alçam voo em dias predominantemente quentes e úmidos, quase sempre na primavera ou outono. Auxiliados pelos operários, todos os reprodutores e reprodutoras adultos deixam a comunidade ao mesmo tempo, numa “revoada nupcial”.

Nesse processo, os cupins invertem um comportamento característico da espécie: são atraídos pela luz, em vez de se esconderem dela. A fragilidade das asas faz com que a planagem se transforme num rito de vida e morte ao mesmo tempo. Em média, 0,5% sobrevive, iniciando com os parceiros o processo de acasalamento, enquanto o restante é atacado por predadores, como pássaros silvestres, aves caseiras, mamíferos, morcegos e outros insetos. Os sobreviventes começam, então, a busca da chamada “câmara nupcial” – um espaço de procriação, onde nascerá uma nova colônia.

CUPIM DE MADEIRA SECA

O cupim de madeira seca pode construir seus ninhos em madeiras estruturais de construções ou nas mobílias das casas. No Brasil, o gênero mais comum é o Cryptotermes e a espécie que mais causa danos nas construções urbanas é a Cryptotermes brevis.

Esses cupins são cosmopolitas e estão distribuídos praticamente por todo mundo. A temperatura não é um fator que limita sua presença, pois há relatos de Cryptotermes brevis até mesmo em países de clima frio. Como são cupins que ocorrem dentro de residências e outras construções humanas, eles se aproveitam do sistema de calefação ali existente e não sentem as baixas temperaturas.

Os ninhos geralmente não possuem contato com o solo. As colônias não são muito grandes, apresentando centenas de cupins que vivem nas galerias e túneis escavados na própria peça de madeira da qual se alimentam. É interessante observar que essa espécie não apresenta operários verdadeiros. Os trabalhos normalmente executado pela casta dos operários são cumpridos por indivíduos denominados falsos operários (ninfas com brotos alares), pois eles podem se desenvolver, transformando-se em reprodutores. O extermínio da rainha não implica, portanto, no fim da colônia.

Os soldados não constituem uma casta numerosa entre os Cryptotermes brevis. Eles são lentos, pouco agressivos, mas possuem mandíbulas fortes e podem ser facilmente reconhecidos pela coloração escura de suas cabeças. Outra característica que lhes é peculiar é o fato de apresentarem cabeça achatada, utilizada para obstruir os orifícios do ninho que fazem contato com o meio externo.

Os reprodutores alados dessa espécie, conhecidos domo “siriris” ou “aleluias” não são muito grandes. Suas asas, maiores do que o corpo, destacam-se facilmente quando tocadas.

O Inseto

Com o crescimento dos centros urbanos ocorre a degradação do meio ambiente e uma alteração significativa nas espécies animais. Nas cidades, não há quantidade suficientes de predadores, para manter o equilíbrio natural o que causa o aumento descontrolado de algumas espécies de insetos.
O aumento das áreas urbanas faz com que os cupins busquem moradia e novas fontes de alimento, daí o motivo de infestações em residências e condomínios, onde os cupins devoram móveis e invadem e danificam as estruturas.

Os OPERÁRIOS são cegos e estéreis. Trabalham 24 horas por dia perfurando plantas ou madeiras em busca de alimento para si e para outros membros da comunidades, inclusive o casal real.

Os SOLDADOS representam um caso exemplar de adaptação fisiológica à função na colônia: geneticamente programados para defender a comunidade dos inimigos, eles adquirem uma blindagem na cabeça e mandíbulas grandes e fortes.

As NINFAS, ainda sem identidade formada dentro do grupo, alimentam-se – durante duas semanas após saírem dos ovos – de resíduos regurgitados pelos operários. Assumem posição nas castas posteriormente, como soldados ou operário. A rainha é capaz de produzir 1 ovo.

RAINHA e REI também possuem funções determinadas: acasalar-se e por ovos. A rainha é capaz de produzir um a cada 28 segundos, num total de até três milhões por ano durante o seu período de vida – que pode variar de 25 a 50 anos. O abdômen da rainha cresce após a fecundação, passando de dois a três milímetros de comprimento e os ovos permanecem incubados por duas semanas, sob os cuidados dos cupins-operários.